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15 fevereiro 2017

Resenha: Doze Anos de Escravidão ♥ Solomon Northup

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Foto: Divulgação/Doze Anos de Escravidão

Título: 
Doze Anos de Escravidão

Autor: Solomon Northup
Editora: Companhia das Letras
Páginas
Avaliação:★★

   “Ainda não havia aprendido a extensão da desumanidade de um homem para com outro homem, tampouco até que infinita medida de maldade um homem é capaz de ir pelo amor ao lucro.”


   Solomon Northup é um homem livre, filho de ex escravos, ele nasceu em Nova York, constituiu família e se mudou para Saratoga, onde possui terras, vive tranquilamente e é conhecido por sua habilidade com o violino.


   Em 1841, enquanto a esposa viajava com os filhos, Solomon recebe uma proposta de dois artistas para tocar violino em algumas cidades do Norte. Pensando que logo voltará para casa e que poderá ganhar um bom dinheiro ele parte cheio de expectativas, porém ao chegar à capital americana ele é dopado, sequestrado e contrabandeado para a Louisiana, no sul dos Estados Unidos.


   Naquela época os estados americanos do norte não permitiam a escravidão, mas os sulistas ainda mantinham os escravos como principal mão de obra; por isso, Solomon, após a perda dos documentos que constatavam sua liberdade, vê sua vida mudar completamente, sendo obrigado a trabalhar em diferentes plantações de algodão e cana de açúcar; e a passar por momentos de angústia, sofrimento e humilhação.

   Durante 12 anos, Solomon, agora conhecido como Platt, sobrevive como escravo, trabalhando incessantemente e sendo vítima de diversas atrocidades cometidas por seus donos.

“Cheguei a pensar que morreria sob o açoite daquele amaldiçoado bruto. Ainda agora minha carne estremece sobre os ossos quando me recordo daquela cena. Eu me sentia inflamar, e meu sofrimento não poderia ser comparado a nada menos do que as abrasadoras agonias do Inferno!”. 

   Esse livro me emocionou profundamente, ele é real e nos faz refletir sobre esse terrível período da história e sobre até onde as pessoas são capazes de ir por dinheiro e poder, além de nos deixar indignados com as crueldades e injustiças sofridas por Solomon e pelos outros escravos, que apesar de serem humanos como qualquer pessoa, são tratados com inferioridade e desrespeito, sendo sujeitados a todo tipo castigo, perda e a trabalhar incansavelmente, sem direito sequer a uma alimentação adequada, apenas para enriquecer seus senhores e alimentar seus egos.

   Totalmente narrado em primeira pessoa, a narração é simples e seus relatos muitas vezes são angustiantes. O livro é bem escrito e detalhista, Solomon descreve todo o processo do cultivo de algodão e açúcar, entretanto a narrativa não se tornou cansativa para mim.

   É uma história de sofrimento e angústia de um homem que luta para sobreviver e conseguir rever a família. 

" O sol brilhava, cálido; pássaros cantavam em arvores. Passarinhos felizes - eu os invejava. Desejava ter asas como eles, poder cindir o ar na direção de onde meus filhotes esperavam, em vão, pelo retorno do pai, na região mais fria que era o Norte"

   O livro foi publicado pela primeira vez em 1853, mesmo ano em que Solomon reconquistou sua liberdade e foi adaptado para o cinema em 2013. O filme ganhou o 71° Globo de Ouro e 3  premiações no Oscar como Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Roteiro Adaptado. 

   Esse livro se tornou um dos meus favoritos, ele nos faz pensar no quanto nossa sociedade ainda precisa mudar, afinal podemos perceber que muitas coisas, infelizmente, ainda continuam do mesmo jeito e vale a pena assistir a adaptação após a leitura.


"Eu não quero sobreviver, eu quero viver."