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Resenha: Série Alias Grace

20 dezembro 2017



   No dia 3 de novembro estreou na Netflix a Série Alias Grace, adaptação do romance Vulgo Grace de Margaret Atwood, publicado em 1996. O livro é inspirado em um caso verdadeiro do Canadá.

   Na série, dividida em seis capítulos, acompanhamos Grace Marks sendo interrogada pelo Médico Psicanalista Simon Jordan, que busca descobrir se Grace matou Nancy Montgomery e Thomas Kinnear junto a James Mc Dermoth, outro empregado da casa. Será que Grace aos 16 anos matou cruelmente duas pessoas? O que fez com que ela cometesse esse ato? Será que ela é inocente? Será que ela é louca?
    Durante o interrogatório de Simon conhecemos a história de Grace, ela nos conta sobre o trajeto da Irlanda ao Canadá, a perda da mãe no navio e as dificuldades que passou ao chagar nessa terra desconhecida; o alcoolismo do pai, se separar dos irmãos para trabalhar de doméstica e sustentar a família. 

   Ela relata os abusos que sofreu e conta sobre os poucos momentos de felicidade que passou ao conhecer Mary Whitney, uma empregada que se torna sua amiga e a dor que sentiu ao perder essa amiga, fazendo com que ela vá trabalhar na casa de Thomas Kinnear, o mesmo que será encontrado morto no porão junto à Nancy, governanta da casa, antes mesmo de Grace completar um mês trabalhando para ele. Grace e James são presos, após uma tentativa de fuga para os Estados Unidos, levando pertences do antigo patrão.

   Como descobrir a verdade? Entramos na vida de Grace e tentamos entende-la, descobrir porque ela foi poupada da forca quando o homem que supostamente era seu cúmplice, foi rapidamente enforcado. 
   Grace é fria e com certeza não é uma narradora confiável, ela conta apenas aquilo que quer revelar e não podemos dizer se ela está contando a verdade ou inventando histórias para nos fazer crer em sua ingenuidade e inocência. Será que ela foi obrigada a cometer os crimes? Será que ela levou James a cometer esses atos cruéis? Quem é Grace Marks?

   A série nos traz mais perguntas que respostas, a trama se desenvolve de maneira hipnotizante, nos instiga e quando percebemos já estamos no último episódio. Os detalhes do assassinato são revelados aos pucos, os personagens são misteriosos, atraentes e a construção da narrativa é muito bem construída.

   A série tem um ar de mistério que me prendeu muito, ilustra abusos, mostra como a sociedade se comporta com os menos favorecidos, principalmente as mulheres, além de tratar de filosofia, política e religião. A série discute também o papel da mulher na sociedade

   É necessário ressaltar a interpretação da atriz Sarah Gordon, que na minha opinião foi brilhante. Ela realmente entrou no papel de Grace, captou o espírito da personagem e foi maravilhosa tanto interpretando a jovem inocente, cheia de vida, como a Grace após anos presa, sofrida, distante e fria.

   Com certeza é uma série que indico e que gostei em todos os sentidos.

Mineira, mãe, apaixonada por livros e pelas coisas simples da vida. Gosta de viver cada instante como se fosse o último e sorrir apesar das dificuldades.

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